Uma homenagem a um escritor pode durar uma tarde. A possibilidade de o ler deve durar muito mais. É por essa diferença que vale a pena regressar a uma conversa de Conceição Lima sobre a memória são-tomense, sem a apresentar como uma declaração de hoje.
Na entrevista publicada por João Moreira da Silva no BUALA, em 12 de julho de 2022, a poeta e jornalista defendeu o combate ao esquecimento histórico através da cultura. Entre as propostas então referidas estavam um plano nacional de leitura, a valorização das línguas nacionais nas escolas e o reconhecimento do património cultural. Criticou também a distância entre a importância dos escritores são-tomenses e a circulação das suas obras no próprio país. Trata-se da posição expressa naquela entrevista, não de um levantamento atualizado das bibliotecas ou dos programas escolares.
Fonte consultada: BUALA. João Moreira da Silva. Data/contexto: 2022-07-12. https://www.buala.org/pt/cara-a-cara/a-amnesia-historica-e-um-dos-mais-serios-problemas-de-sao-tome-e-principe-conversa-com-c
Leitura Sombla: celebrar a memória exige criar condições para a consultar. Uma escola com livros disponíveis, uma biblioteca com horário conhecido e uma edição que possa ser comprada ou emprestada tornam o património mais próximo de quem o herdou. Uma cerimónia não substitui nenhuma dessas tarefas.
O desafio editorial que retiramos desta conversa é concreto: apresentar autores são-tomenses pelo que escreveram, indicar onde encontrar as suas obras e ouvir professores, bibliotecários e leitores. Não basta repetir nomes ilustres. Também é necessário permitir que a nova geração discorde, interprete e faça perguntas. Uma memória viva não exige reverência permanente; exige acesso e conversa.
Nota editorial: análise original Sombla a partir de uma fonte pública identificada. A personalidade retratada não assina este texto, não foi entrevistada pela Sombla para esta peça e não é apresentada como colaboradora do projeto.