A lista dos autores mais conhecidos não é um retrato completo de uma literatura. Também revela quem consegue editar, distribuir e atravessar fronteiras. Esta diferença está no centro de uma questão colocada por Inocência Mata numa entrevista a Claudia Amorim, publicada pela revista Matraga em 2019.
A investigadora, nascida na ilha do Príncipe, contestou nessa conversa a identificação entre escritores africanos reconhecidos internacionalmente e a totalidade da criação literária dos seus países. Assinalou o peso das editoras portuguesas na seleção das obras que chegam ao Brasil e valorizou iniciativas editoriais que procuram autores diretamente nos países africanos. Defendeu ainda o diálogo entre literaturas, em vez de um estudo fechado em fronteiras nacionais. Esta síntese refere-se à entrevista de 2019, não a uma avaliação atual de todas as editoras.
Fonte consultada: Revista Matraga / Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Claudia Amorim. Data/contexto: 2019. https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/download/45427/32137
Para a Sombla, a consequência é também jornalística: procurar uma voz local não deve começar e terminar na lista de nomes já promovidos pelos grandes mercados. A investigação de uma pauta pode incluir pequenas editoras, bibliotecas, associações e leitores. Essa procura precisa de critérios de qualidade, mas não deve confundir ausência de divulgação com ausência de mérito.
Dar mais espaço à produção são-tomense não significa pedir que cada escritor represente todo o país. Significa oferecer condições para que obras diferentes sejam conhecidas e discutidas. Uma coluna cultural ganha profundidade quando explica de onde vêm os seus critérios e reconhece o que ainda não leu.
Nota editorial: análise original Sombla a partir de uma fonte pública identificada. A personalidade retratada não assina este texto, não foi entrevistada pela Sombla para esta peça e não é apresentada como colaboradora do projeto.