Ondjaki e a lição de Luanda: escutar antes de contar

Infância, oralidade e memória numa reflexão editorial a partir de uma entrevista do escritor angolano.

Ondjaki e a lição de Luanda: escutar antes de contar

Fotografia: Elza Fiúza / Agência Brasil CC BY 3.0 br

Fonte e licença da fotografia

Redação Sombla

Há cidades que entram nos livros através dos seus monumentos. Na conversa de Ondjaki com Vera Dantas, publicada no WookAcontece em 14 de julho de 2025, Luanda aparece também através da infância, da conversa e das vozes da rua.

O escritor explicou que trabalha com recordações próprias, histórias ouvidas e reconstrução ficcional. Apresentou a escuta como parte essencial da criação e manifestou reservas perante uma ideia de lusofonia reduzida à língua ou ao protocolo. Preferiu destacar as relações entre pessoas, experiências e formas diferentes de escrever. A memória literária de que fala não deve, por isso, ser confundida com uma transcrição documental de acontecimentos.

Fonte consultada: WookAcontece. Vera Dantas. Data/contexto: 2025-07-14. https://www.wook.pt/wookacontece/novidades/noticia/ver/ba-infancia-nao-e-nostalgia-e-territorio-mesmo-entrevista-a-ondjakib/?id=263346&langid=1

A leitura Sombla parte precisamente dessa distinção. A literatura pode transformar lembranças para construir uma narrativa; o jornalismo tem de verificar os factos que apresenta como reais. Mas ambos podem beneficiar de uma atenção maior ao modo como as pessoas contam a sua própria vida. Não basta chegar a uma comunidade com o título do artigo já decidido.

Uma cobertura cultural mais interessante da CPLP poderia começar por perguntas pequenas: que palavras se ouvem num bairro, que histórias circulam numa família, que livros passam de mão em mão? Seria uma forma de descobrir diferenças sem as tratar como exotismo. O diálogo entre Luanda e outras cidades não precisa de apagar o que cada uma tem de particular. Pode começar por lhe dar tempo e espaço.

Nota editorial: análise original Sombla a partir de uma fonte pública identificada. A personalidade retratada não assina este texto, não foi entrevistada pela Sombla para esta peça e não é apresentada como colaboradora do projeto.

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