Falar de responsabilidade não deve servir para diminuir direitos. Pode servir para perguntar o que fazemos, individual e coletivamente, para que esses direitos existam também na vida dos outros.
A Fundação José Saramago recorda um apelo do escritor português, num discurso de Estocolmo em 1998, à iniciativa dos cidadãos e à atenção aos seus deveres. Segundo a Fundação, esse impulso esteve na origem de um trabalho iniciado com a Universidade Nacional Autónoma do México em 2015 e de uma proposta apresentada nas Nações Unidas em 2018. Referimo-nos a essa iniciativa e ao seu percurso histórico, não a uma convenção internacional que aqui se afirme estar em vigor.
Fonte consultada: Fundação José Saramago. Arquivo da Fundação José Saramago. Data/contexto: Discurso de 1998; iniciativa de 2015 e apresentação de 2018. https://www.josesaramago.org/carta-universal-dos-deveres-e-obrigacoes-dos-seres-humanos/
Leitura Sombla: o argumento é produtivo quando aproxima a exigência dirigida às instituições do cuidado que se pede nas relações quotidianas. Pode aplicar-se à forma como se trata um trabalhador, se utiliza um espaço comum ou se partilha informação sobre outra pessoa. Não autoriza a substituir serviços públicos por boa vontade, nem a culpar quem não consegue exercer um direito.
Numa comunidade de leitores, uma responsabilidade imediata é discutir sem falsificar. Distinguir uma opinião de uma notícia, corrigir um erro e consultar a origem de uma afirmação são gestos modestos, mas verificáveis. A contribuição de uma coluna de opinião não é decidir pelos leitores. É apresentar razões que possam ser examinadas, contestadas e melhoradas.
Nota editorial: análise original Sombla a partir de uma fonte pública identificada. A personalidade retratada não assina este texto, não foi entrevistada pela Sombla para esta peça e não é apresentada como colaboradora do projeto.