367 votos separam MLSTP e ADI numa eleição que redesenha o mapa político de São Tomé e Príncipe

367 votos separam MLSTP e ADI numa eleição que redesenha o mapa político de São Tomé e Príncipe MLSTP termina à frente na contagem preliminar, mas a composição dos 55 lugares da Assembleia Nacional continua por confirmar. Mais de metade dos

367 votos separam MLSTP e ADI numa eleição que redesenha o mapa político de São Tomé e Príncipe

Nairobi Mognimba

367 votos separam MLSTP e ADI numa eleição que redesenha o mapa político de São Tomé e Príncipe

MLSTP termina à frente na contagem preliminar, mas a composição dos 55 lugares da Assembleia Nacional continua por confirmar. Mais de metade dos eleitores não foi às urnas.

São Tomé e Príncipe - 28 de setembro de 2026

Por apenas 367 votos, São Tomé e Príncipe acordou esta segunda-feira perante uma nova realidade política e com várias perguntas ainda sem resposta.

Os resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) colocam o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) à frente da Ação Democrática Independente (ADI) nas eleições legislativas de 27 de setembro.

Segundo os dados apresentados pela CEN e divulgados pela agência cabo-verdiana Inforpress, o MLSTP obteve 17.551 votos, contra 17.184 votos da ADI.

O Movimento Basta recebeu 4.410 votos, enquanto a coligação MCI-PS/PUN contabilizou 4.142 votos.

No total, foram registados 47.203 votos válidos.

Mas existe outro número que poderá ser tão importante para compreender estas eleições quanto os resultados dos partidos: 58,66% de abstenção.

Mais de metade do eleitorado não participou na escolha da próxima Assembleia Nacional.

Uma vitória em votos, mas ainda sem mapa parlamentar

A diferença de 367 votos coloca o MLSTP à frente da ADI na contagem nacional preliminar.

Isso, porém, ainda não responde à pergunta politicamente mais importante:

Quantos deputados terá cada partido?

Estão em causa 55 lugares na Assembleia Nacional, mas a CEN não anunciou, nesta fase, a distribuição definitiva dos mandatos.

O presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Jeudiger do Nascimento, remeteu a questão da determinação dos mandatos para o Tribunal Constitucional.

Esta distinção é fundamental.

Uma vantagem no total nacional de votos não deve ser automaticamente convertida numa determinada vantagem parlamentar, uma vez que a atribuição dos deputados depende dos resultados obtidos nos diferentes círculos eleitorais e das regras previstas na legislação.

Por isso, qualquer distribuição de deputados que circule antes da validação institucional deve ser tratada como provisória.

MLSTP reivindica vitória

Antes da apresentação dos resultados preliminares pela CEN, o presidente do MLSTP, Américo Barros, já tinha reivindicado a vitória eleitoral.

O partido apresentou também as suas próprias projeções sobre o número de deputados que poderá conquistar.

Essas projeções, contudo, não equivalem à distribuição oficial dos mandatos.

A diferença pode parecer meramente processual, mas torna-se particularmente importante num escrutínio tão equilibrado.

Quando apenas algumas centenas de votos separam as duas principais forças políticas do país, a confirmação das instituições eleitorais assume ainda maior relevância.

Uma mudança significativa em relação a 2022

O resultado preliminar representa uma alteração importante face ao equilíbrio político resultante das eleições legislativas de 2022.

Naquele escrutínio, a ADI conquistou 30 dos 55 deputados, garantindo uma maioria absoluta.

O MLSTP conseguiu 18 mandatos, a coligação MCI/PS-PUN cinco e o Movimento Basta dois.

Quatro anos depois, o cenário apresenta-se diferente.

MLSTP e ADI estão separados por apenas 367 votos na contagem nacional preliminar, enquanto Basta e MCI-PS/PUN voltam a representar uma parcela relevante dos votos conhecidos.

A verdadeira dimensão parlamentar desta mudança, contudo, só ficará clara depois da conclusão do apuramento e da confirmação oficial dos mandatos.

Sete forças políticas entraram na corrida

As eleições legislativas de 27 de setembro foram disputadas por sete forças políticas.

Além do MLSTP, ADI, Basta e MCI-PS/PUN, concorreram o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o Movimento Político Nossa Terra.

A documentação relativa às candidaturas encontra-se publicada pelo Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe.

O processo eleitoral não esteve, contudo, livre de controvérsia.

Durante o período eleitoral, decisões relacionadas com candidaturas da coligação MCI-PS/PUN em alguns círculos provocaram protestos e críticas dirigidas ao Tribunal Constitucional.

Essas acusações representam posições dos intervenientes políticos e não devem ser confundidas com conclusões independentes sobre a atuação das instituições.

Uma votação globalmente pacífica

Apesar das tensões verificadas durante o período eleitoral, a votação decorreu num ambiente geralmente tranquilo.

A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia destacou publicamente o carácter pacífico da jornada eleitoral.

Num processo democrático disputado, a tranquilidade nas assembleias de voto constitui um elemento importante para a credibilidade do escrutínio.

58,66%: o número que também merece atenção

Para além da disputa entre MLSTP e ADI, existe outra questão que São Tomé e Príncipe terá de analisar: a participação eleitoral.

A abstenção atingiu 58,66%.

O número, por si só, não permite determinar as razões pelas quais tantos cidadãos não votaram.

Seria precipitado concluir que todos os abstencionistas rejeitaram os partidos, o sistema político ou as instituições.

Entre as possíveis explicações podem existir fatores administrativos, mobilidade dos eleitores, cidadãos residentes no estrangeiro, dificuldades de acesso às assembleias ou simplesmente a decisão individual de não participar.

Determinar as verdadeiras razões exigirá dados e investigação adicionais.

Mas a dimensão da abstenção merece atenção.

Num país onde apenas 367 votos separam as duas maiores forças políticas na contagem preliminar, a ausência de uma grande parte do eleitorado torna-se também uma das histórias centrais destas eleições.

Agora, a palavra pertence às instituições

O Tribunal Constitucional desempenha um papel fundamental na fase seguinte do processo eleitoral.

É através dos procedimentos legais de apuramento e validação que os votos depositados nas urnas serão traduzidos na composição definitiva da próxima Assembleia Nacional.

Só depois desse processo será possível saber oficialmente quantos dos 55 deputados caberão a cada força política.

Até lá, existe uma conclusão que pode ser apresentada com segurança:

O MLSTP terminou a contagem nacional preliminar 367 votos à frente da ADI.

O significado parlamentar dessa diferença ainda necessita de confirmação institucional.

São Tomé e Príncipe entra agora numa segunda fase do processo eleitoral: apuramento, validação dos resultados e definição da composição da Assembleia Nacional.

Num momento em que números, projeções e declarações políticas circulam rapidamente pelas redes sociais, a rapidez da informação é importante.

Mas o rigor é ainda mais importante.

Fontes: Comissão Eleitoral Nacional de São Tomé e Príncipe (CEN); Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe; Inforpress; DW África; Missão de Observação Eleitoral da União Europeia.

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