Brexit: Andy Burnham afirma que a Rússia interferiu no referendo de 2016

INTERNACIONAL | REINO UNIDO Brexit: Andy Burnham afirma que a Rússia interferiu no referendo de 2016 Primeiro-ministro britânico não apresentou provas públicas que sustentem a declaração. Downing Street assegura que as tentativas de interfe

Brexit: Andy Burnham afirma que a Rússia interferiu no referendo de 2016

Redação Sombla

INTERNACIONAL | REINO UNIDO

Brexit: Andy Burnham afirma que a Rússia interferiu no referendo de 2016

Primeiro-ministro britânico não apresentou provas públicas que sustentem a declaração. Downing Street assegura que as tentativas de interferência não tiveram sucesso e mantém a legitimidade do resultado.

Por Redação Sombla | 12 de outubro de 2026

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que a Rússia interferiu no referendo de 2016 sobre a saída britânica da União Europeia. A declaração foi feita numa entrevista ao podcast The Rest Is Politics, cujos excertos foram divulgados no domingo, 11 de outubro. O chefe do Governo não apresentou detalhes sobre as ações em causa nem os elementos que sustentam a sua avaliação.

Segundo Andy Burnham, a questão foi colocada aos seus assessores quando assumiu funções em Downing Street. O primeiro-ministro explicou que perguntou diretamente se tinha existido interferência russa na votação e recebeu uma resposta afirmativa. «Recebi uma resposta clara de que sim, houve», declarou, numa passagem da entrevista reproduzida pela ITV News.

A Associated Press descreve a intervenção como aquela que se acredita ser a primeira admissão pública, por um primeiro-ministro britânico, de interferência russa no referendo do Brexit. A Rússia tem negado interferir nas eleições e nos referendos de outros países.

Downing Street mantém a legitimidade do resultado

Na segunda-feira, 12 de outubro, o porta-voz oficial do primeiro-ministro esclareceu que o Governo considera legítimo o resultado do referendo. Segundo a posição transmitida por Downing Street, a Rússia procurou tirar partido da votação, mas não conseguiu alcançar esse objetivo.

A declaração seguiu-se às explicações de Stephen Doughty, membro do Governo britânico com responsabilidades na política externa, que afirmou à Sky News que as tentativas russas de interferência não tinham sido bem-sucedidas. Questionado sobre se essas ações colocavam em causa a fiabilidade do resultado, respondeu negativamente.

A existência de uma tentativa de influência e a demonstração de que essa tentativa alterou o resultado são questões diferentes. A posição apresentada pelo Governo reconhece a primeira, mas rejeita que o desfecho do referendo tenha sido comprometido.

No plano político, o líder do Reform UK, Nigel Farage, contestou as declarações de Andy Burnham e rejeitou a acusação de interferência apresentada pelo primeiro-ministro.

Relatório parlamentar já tinha apontado falhas na avaliação

A discussão tem antecedentes. Em 2020, a Comissão de Informações e Segurança do Parlamento britânico concluiu que o Governo não tinha avaliado suficientemente o possível impacto dos meios de comunicação estatais russos e de contas utilizadas para provocar ou manipular debates nas redes sociais durante o referendo.

Em setembro desse ano, numa resposta oficial a uma petição que solicitava uma investigação, o Governo afirmou não ter identificado provas de interferência bem-sucedida. Acrescentou que os serviços de informações avaliavam regularmente as ameaças de Estados estrangeiros e atualizavam essas análises sempre que surgiam novos elementos.

Na mesma resposta, o Executivo indicou que não previa publicar uma avaliação retrospetiva do referendo. Sustentou, porém, que qualquer nova informação seria analisada, incluindo a possibilidade de a tornar pública quando tal fosse considerado adequado.

A posição tinha também sido defendida no Parlamento, em julho de 2020. Na ocasião, o então responsável governamental James Brokenshire considerou desnecessária uma investigação retrospetiva específica, argumentando que os mecanismos existentes permitiriam identificar novos elementos relevantes.

Alerta dirigido também à França e à Alemanha

Na entrevista, Andy Burnham defendeu que as ameaças de interferência externa devem ser comunicadas com maior clareza aos cidadãos. O primeiro-ministro mencionou particularmente a França e a Alemanha, considerando importante que os respetivos eleitores conheçam as tentativas de perturbação dos processos políticos a partir do estrangeiro.

O chefe do Governo britânico afirmou ainda ter abordado o assunto com o chanceler alemão, Friedrich Merz, durante um encontro em Berlim. Segundo o seu relato, a conversa incluiu preocupações sobre possíveis ligações entre a Rússia e o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, conhecido pela sigla AfD.

Declarações surgem num momento de reaproximação à União Europeia

A intervenção ocorre quando Andy Burnham procura aprofundar a relação entre o Reino Unido e a União Europeia. Segundo o Financial Times, o primeiro-ministro pretende defender no Parlamento uma maior cooperação com Bruxelas, associando essa aproximação ao crescimento económico e à resposta aos desafios migratórios. O Governo tem também admitido discutir diferentes opções para a relação futura com o bloco europeu.

No referendo de 2016, a saída da União Europeia venceu com 51,9% dos votos válidos, correspondentes a cerca de 17,4 milhões de eleitores. A permanência obteve 48,1%, aproximadamente 16,1 milhões de votos. A participação foi de 72,2%, de acordo com os resultados oficiais publicados pela Comissão Eleitoral britânica.

Ler a notícia na Sombla