Azomé Pinto relata aviso de processos em São Tomé e Príncipe e Portugal

Humorista atribui ao presidente da Federação de Futebol uma mensagem transmitida por terceiros e rejeita a insinuação de que recebe dinheiro para criticar a instituição. A FSF contesta informações sobre verbas para a participação dos sub-15

Azomé Pinto relata aviso de processos em São Tomé e Príncipe e Portugal

Redação Sombla

Humorista atribui ao presidente da Federação de Futebol uma mensagem transmitida por terceiros e rejeita a insinuação de que recebe dinheiro para criticar a instituição. A FSF contesta informações sobre verbas para a participação dos sub-15 no Azerbaijão.
Redação Sombla | 4 de novembro de 2026
O humorista santomense Azomé Pinto afirma ter recebido um aviso de que a Federação Santomense de Futebol (FSF) pretende processá-lo em São Tomé e Príncipe e em Portugal. Num vídeo divulgado na sua página, atribui a mensagem ao presidente da instituição e diz que esta lhe chegou através de outra pessoa.
«Federação de São Tomé e Príncipe vai-me processar», afirma na abertura da gravação. Segundo o seu relato, o dirigente terá contactado alguém que mantém contacto consigo e pedido que lhe transmitisse a intenção de avançar judicialmente nos dois países. Azomé Pinto acrescenta que lhe foi dito que teria um processo à sua espera quando regressasse a São Tomé.
A intervenção ocorre no contexto das críticas à participação da seleção nacional sub-15 no Festival e Mundial da FIFA, realizado em Baku, no Azerbaijão, em outubro. A Federação rejeitou informações sobre o financiamento dessa participação e anunciou a responsabilização dos autores das informações que considera falsas.
Até ao fecho desta matéria, a Sombla não confirmou a apresentação de uma ação ou queixa contra o humorista. A referência a processos nos dois países corresponde, nesta fase, ao aviso que ele afirma ter recebido.
Humorista rejeita suspeita de críticas pagas
Azomé Pinto atribui também ao presidente da Federação a insinuação de que estaria a receber dinheiro para fazer publicações críticas. Reage em tom irónico, questionando quanto lhe teriam pago e recorrendo à referência a 100 dólares. O valor surge nessa resposta irónica, sem ser apresentado como um pagamento efetivamente recebido.
Mais adiante, rejeita a ideia de precisar de incentivos financeiros para falar do seu país. Afirma que a sua intervenção resulta do interesse pelo desporto santomense e invoca a recusa de propostas para participar em campanhas políticas como expressão da independência que reivindica.
O humorista refere ainda a sua formação em Contabilidade e o percurso de estudos que diz ter realizado em Bragança. Ao dirigir-se ao presidente da Federação, defende o seu trabalho e contesta a tentativa que entende estar a ser feita de desvalorizar as suas críticas.
Federação contesta informações sobre o financiamento
Na conferência de imprensa de 31 de outubro, o primeiro vice-presidente da FSF, Adalberto Catambi, negou que a instituição tivesse recebido uma verba específica da FIFA destinada à participação dos sub-15 no Azerbaijão. Essa posição é reproduzida na publicação que acompanha e é comentada pelo humorista no vídeo.
O dirigente classificou as informações contestadas como falsas e afirmou que a logística e os custos inerentes à presença da seleção foram assumidos pela FIFA. A explicação refere-se à participação naquele evento e distingue a cobertura das despesas da entrega de dinheiro à Federação.
A direção anunciou ainda que os responsáveis pela divulgação das informações contestadas seriam responsabilizados. A advertência pública sobre esses autores e o alegado aviso dirigido a Azomé Pinto têm alcances diferentes: a indicação de processos em São Tomé e Príncipe e em Portugal é apresentada pelo próprio humorista.
Azomé Pinto explica a origem das suas críticas
Ao explicar a origem de uma captura de ecrã que tinha partilhado, Azomé Pinto afirma ter feito uma pesquisa no Google a partir de relatos que vinha a ouvir. Refere conversas com conhecidos ligados ao desporto e dúvidas sobre os valores recebidos por atletas em deslocações internacionais.
«Não vi nenhum documento para calar a minha boca», afirma, ao explicar por que mantém as dúvidas depois da posição pública da Federação. A frase traduz a sua avaliação dos esclarecimentos a que teve acesso; a pesquisa e os relatos que menciona não estabelecem, por si só, os montantes transferidos ou a sua aplicação.
Na intervenção, questiona também a disponibilidade de equipamentos para os jogadores seniores. Alarga depois as críticas às condições dos atletas de outras modalidades, incluindo canoagem, atletismo, voleibol e basquetebol, apresentando-se como um jovem indignado com a situação do desporto nacional.
Essas referências a outras modalidades integram o conjunto das preocupações que o humorista manifesta. Os casos que evoca são apresentados como relatos seus e de pessoas que conhece, sem documentação que permita à Sombla verificar individualmente as situações descritas.
Apelo ao apoio aos atletas
Azomé Pinto questiona a prioridade de eventuais despesas com processos e sugere que esses recursos sejam utilizados no apoio aos jogadores que representaram o país. Entre os exemplos que apresenta está a realização de um almoço para os atletas, como forma de reconhecimento pela sua participação.
O humorista afirma querer que os desportistas possam viver da atividade a que se dedicam e convida os seguidores a escreverem nos comentários a sua avaliação do trabalho da Federação.
Ao afirmar que «não vou ficar quieto», manifesta a intenção de continuar a intervir. No final da gravação, declara também estar disponível para pedir desculpa e assumir responsabilidade se lhe indicarem e demonstrarem um erro nas suas afirmações.
Fontes: vídeo divulgado na página de Azomé Pinto (@azomepintooficial); declarações públicas da Federação Santomense de Futebol sobre a participação dos sub-15 no Azerbaijão, reproduzidas no material analisado.
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